Trump avalia ataque ao Irã e prepara ofensiva maior este ano

O governo dos Estados Unidos estuda um ataque limitado no curto prazo, com a possibilidade de ampliar a ofensiva contra o Irã nos próximos meses, caso Teerã não ceda às exigências de abandonar seu programa nuclear.
Os alvos em análise incluem o quartel-general da Guarda Revolucionária, instalações nucleares e o programa de mísseis balísticos, e a Casa Branca debate se um ataque inicial poderia, ou não, forçar mudanças políticas em Teerã.
Negociadores americanos e iranianos devem se reunir em Genebra em uma tentativa final de evitar conflito, conforme informação divulgada por autoridades americanas.
Cenário das opções militares
Segundo autoridades consultadas, o presidente Trump se inclinou a autorizar um ataque inicial nos próximos dias para demonstrar à liderança iraniana que precisa concordar em abrir mão da capacidade de produzir uma arma nuclear.
Os meios posicionados apontam para uma capacidade de ação imediata, com dois grupos de porta-aviões a uma distância de ataque, e dezenas de caças, bombardeiros e aviões-tanque prontos para operar. Entre os alvos considerados estão instalações nucleares, centros de mísseis balísticos e a Guarda Revolucionária do Irã.
Autoridades apontam dúvidas sobre se ataques apenas aéreos seriam suficientes para atingir o objetivo mais amplo de enfraquecer, ou mesmo remover, a liderança do país, sobretudo do aiatolá Ali Khamenei.
Discussões internas na Casa Branca
O debate aconteceu na Sala de Situação da Casa Branca, em reunião que incluiu o vice-presidente J. D. Vance, o secretário de Estado Marco Rubio, o general Dan Caine, chefe do Estado-Maior Conjunto, o diretor da CIA John Ratcliffe, e a chefe de gabinete Susie Wiles.
Durante a reunião, Caine abordou capacidades operacionais das Forças Armadas, e Ratcliffe tratou de cenários no terreno e desdobramentos possíveis. Vance, conhecido por pedir cautela em operações externas, não se opôs a um ataque, mas exigiu avaliações detalhadas sobre riscos e complexidade.
Autoridades responsáveis por logística militar alertaram para o impacto de uma guerra prolongada, ou mesmo de uma preparação prolongada, sobre a prontidão de navios da Marinha, sistemas antimísseis Patriot, que são escassos, e aeronaves de transporte e vigilância já sobrecarregadas.
Proposta alternativa da AIEA
Como alternativa ao confronto armado, uma iniciativa apresentada pelo diretor-geral da Agência Internacional de Energia Atômica, Rafael Grossi, vem sendo debatida nos bastidores.
Pela proposta, o Irã poderia conduzir um programa de enriquecimento muito limitado, exclusivamente para fins de pesquisa e produção de isótopos médicos, mantendo a afirmação de que continua enriquecendo urânio, porém em escala reduzida e com inspeções.
O Reator de Pesquisa de Teerã, com quase 60 anos, já produz isótopos médicos, e a proposta permitiria ao Irã sustentar uma atividade técnica nesse campo, enquanto os Estados Unidos procurariam garantir o fim de capacidades que permitam a construção de uma arma.
Pressões e declarações públicas
Steve Witkoff, enviado especial do presidente, disse à Fox News que a "diretriz clara" de Trump para ele e Jared Kushner é que o único resultado aceitável para um acordo é que o Irã passe a "enriquecimento zero" de material nuclear.
Por outro lado, o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, afirmou que o país não abrirá mão do que considera seu direito de produzir combustível nuclear sob o Tratado de Não Proliferação Nuclear, e a capacidade negociadora do governo iraniano permanece firme.
Sobre as discussões, a porta-voz da Casa Branca Anna Kelly declarou, "A mídia pode continuar especulando sobre o que o presidente está pensando o quanto quiser, mas apenas o presidente Trump sabe o que pode ou não fazer", reforçando a opacidade do processo decisório.
Embora nenhuma decisão final tenha sido anunciada, o cenário combina a chance de um ataque ao Irã de curto prazo com a possibilidade de uma ofensiva maior mais adiante, caso as negociações falhem, e levanta questões sobre eficácia, riscos e custos humanos e estratégicos dessa opção.

