Boeing sabia de falhas em MD-11F da UPS, diz relatório do NTSB

Investigadores do NTSB encontraram rachaduras em um conjunto que prendia o motor esquerdo do jato cargueiro MD-11F da UPS que caiu em Louisville em 4 de novembro.
O relatório mostra que a Boeing já havia registrado fraturas semelhantes e, em um boletim de serviço de 2011, afirmou que as fraturas 'não resultariam em uma condição que afetasse a segurança do voo'.
Os três tripulantes a bordo e 11 pessoas em solo morreram na queda, uma 12ª pessoa em terra morreu em decorrência dos ferimentos sofridos no episódio, conforme informação divulgada pelo The New York Times.
O que o relatório encontrou
O NTSB detalha que houve rachaduras no conjunto que mantinha o motor esquerdo fixado, e que a peça havia se rompido de forma semelhante em pelo menos outras quatro ocasiões, em três aviões diferentes, citando um boletim de serviço que a Boeing emitiu em 2011.
Os investigadores registraram sinais descritos como 'rachaduras por fadiga' e 'falha por sobrecarga', e apontam que a peça deveria ser inspecionada com periodicidade mais curta, segundo a recomendação da fabricante.
Inspeções e manutenção
No boletim de serviço a Boeing recomendou que a peça fosse inspecionada a cada 60 meses como parte de uma inspeção visual geral, enquanto a política da UPS era inspecionar a peça como parte de uma inspeção visual geral a cada 72 meses, e ela havia sido examinada pela última vez em 28 de outubro de 2021, cerca de 49 meses antes do acidente.
O relatório também registra que os mancais tinham sido lubrificados cerca de duas semanas antes da queda, em 18 de outubro de 2025, e que as 'lugs' (orelhões/abas) que mantinham a peça no lugar, também fraturadas, e outros dispositivos de acoplamento só deveriam passar por uma inspeção especial após mais alguns milhares de ciclos de decolagem e pouso.
Resposta da Boeing, da UPS e da FAA
Em comunicado, um representante da Boeing afirmou que a empresa apoia a investigação do NTSB e expressou condolências às famílias das vítimas. A companhia não comentou especificamente as conclusões do relatório em sua nota.
Após o acidente, a Boeing recomendou que todos os MD-11 fossem mantidos em solo enquanto o NTSB conduzia sua investigação. A UPS anunciou que retiraria sua frota de MD-11 de operação, e a FAA emitiu uma proibição temporária para voos desse modelo, alegando preocupação de que um descolamento semelhante de motor 'poderia resultar na perda da segurança de voo e pouso continuados'.
Implicações para a investigação e segurança
O NTSB ainda não apontou oficialmente uma causa final, mas indica que as fraturas no conjunto de fixação do motor esquerdo podem ter contribuído para a queda. O caso levanta questões sobre critérios de inspeção, ciclos de vida de peças críticas e como fabricantes e operadores interpretam boletins de serviço.
As evidências descritas pelo NTSB, e as diferenças entre recomendações de inspeção e práticas da operadora, devem influenciar as próximas fases da investigação e possíveis mudanças nas exigências de manutenção para evitar novos acidentes.
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