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Universidades chinesas disparam em rankings globais, Harvard perde espaço

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O avanço das instituições de ensino superior da China está mudando a fotografia dos rankings acadêmicos que medem produção científica global, e o impacto é visível em listagens recentes.

Harvard, que por anos figurou entre as mais produtivas, caiu posições em levantamentos baseados em artigos e citações, enquanto universidades chinesas sobem de forma acelerada.

Os dados e análises que embasam essa reportagem foram compilados com base em informações divulgadas pelo The New York Times e pelo Leiden Ranking.

O que os rankings mostram

Harvard caiu recentemente para o 3º lugar no ranking, embora mantenha liderança em recortes que valorizam artigos altamente citados, conforme os mesmos levantamentos. Hoje, Zhejiang está em 1º lugar nessa mesma lista, o Leiden Ranking, e outras sete instituições chinesas aparecem no top 10.

Seis instituições de destaque nos EUA, Universidade de Michigan, UCLA, Johns Hopkins, Universidade de Washington (Seattle), Universidade da Pensilvânia e Stanford, estão produzindo mais pesquisa hoje do que há 20 anos, segundo os dados de Leiden, mas o crescimento do volume chinês foi muito mais rápido.

Uma lista do Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia da Universidade de Leiden, na Holanda, traz oito universidades chinesas entre as 10 primeiras, Zhejiang University, China Shanghai Jiao Tong University, China Harvard University, Estados Unidos Sichuan University, China Central South University, China Huazhong University of Science and Technology, China Sun Yat-sen University, China Xi’an Jiaotong University, China Tsinghua University, China University of Toronto, Canadá, conforme o levantamento.

Por que a China avança

Segundo Mark Neijssel, diretor de serviços do Centro de Estudos em Ciência e Tecnologia, "A China está realmente construindo muita capacidade de pesquisa", e pesquisadores chineses têm dado mais ênfase à publicação em revistas de língua inglesa, que atraem mais leitura e citações internacionais.

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O país também vem investindo bilhões em universidades e criando mecanismos para atrair talentos estrangeiros, incluindo vistos específicos para graduados de instituições de ponta em ciência e tecnologia, e políticas públicas que priorizam ciência estratégica.

Como resumiu Alex Usher, presidente da consultoria Higher Education Strategy Associates, "A China tem hoje uma quantidade enorme de dinheiro no ensino superior que não tinha há 20 anos", o que explica parte do ritmo de crescimento.

Pressões sobre universidades dos EUA

Especialistas alertam que a subida chinesa coincide com cortes no financiamento federal de pesquisa nos Estados Unidos, além de restrições de viagem e políticas migratórias mais rígidas, fatores que podem reduzir a atratividade dos EUA para estudantes e pesquisadores internacionais.

Em entrevista citada na reportagem, Phil Baty, diretor de assuntos globais da Times Higher Education, afirmou, "Está vindo aí uma grande mudança, uma espécie de nova ordem mundial no domínio global do ensino superior e da pesquisa", apontando que a competição global está se intensificando.

Rafael Reif, ex-presidente do MIT, observou que "o número de artigos e a qualidade dos artigos vindos da China são impressionantes" e que eles estão "ofuscando o que estamos fazendo nos EUA", segundo a fonte.

Além disso, o número de estudantes estrangeiros que chegaram aos EUA em agosto de 2025 foi 19% menor do que no ano anterior, uma tendência que pode prejudicar ainda mais o prestígio e a posição dos EUA nos rankings, conforme os dados citados.

Consequências e cenários futuros

Líderes universitários nos Estados Unidos alertaram que menos verbas federais significam menos projetos e descobertas publicadas, o que pode afetar desempenho em rankings futuros. A administração federal, por sua vez, diz que os cortes visam eliminar desperdícios e resgatar prioridades.

Um exemplo prático da disputa é que um juiz federal determinou que o governo volte a financiar Harvard, após cortes da administração, mas o governo já avisou que pretende restringir concessões futuras à universidade, segundo a reportagem.

Especialistas concluem que, embora instituições americanas continuem fortes em áreas como biologia e ciências médicas, a rápida expansão das universidades chinesas e o maior investimento estatal em pesquisa criam um novo equilíbrio global, que pode influenciar ciência, tecnologia e poder econômico nas próximas décadas.

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