Como o Instituto Ponte uniu gestão profissional e propósito para acelerar a ascensão social de alunos da escola pública, com metas, avaliação e resultados mensuráveis

Bartira Almeida deixou uma carreira de quase 20 anos na empresa familiar para buscar um novo propósito, e fundou o Instituto Ponte em 2014. Ela passou dois anos visitando projetos antes de começar a agir, e, nesse processo, buscou fazer diferente.
O instituto foi concebido com mentalidade empresarial, com orçamento, metas, indicadores, avaliação de desempenho e contratos de resultado, e mira jovens talentosos da escola pública para acelerar sua mobilidade social.
As informações e dados aqui citados são baseados em relatos e números divulgados pelo InfoMoney.
Da carreira empresarial ao propósito social
Bartira recorda que, aos quase 40 anos, se perguntou, “O que eu quero fazer na segunda metade produtiva da minha vida?”, e decidiu ouvir quem já havia mudado de trajetória. Ela visitou 42 projetos sociais em dois anos, e concluiu que existiam iniciativas sérias, porém com menos gestão do que esperava.
Segundo ela, “Muita gente que atuava no social dizia que recebia mais do que dava. Para mim, isso fazia muito sentido.” Como não encontrou um modelo com metas e avaliação, entendeu que teria que fundar um.
Em 2014, fundou o Instituto Ponte com a meta de conseguir seis doadores dispostos a investir R$ 30 mil por ano, conseguiu cinco, e decidiu ser o sexto, dizendo, “Se eu não conseguisse, era um sinal de que o projeto não deveria existir. Entendi o recado. A sexta era eu.”
Gestão com metas, indicadores e contratos de resultado
Desde o início, o Instituto foi estruturado como uma organização com mentalidade empresarial. Bartira afirma, “ONG funciona igual empresa. Tem CNPJ, orçamento e gente. O que muda é o propósito.” O modelo inclui metas claras, avaliação e contratos de resultado.
O foco é identificar jovens talentosos da escola pública, atuando como um olheiro, conforme a própria fundadora: “A gente é o olheiro da escola pública. Procuramos inteligência acima da média e vontade real de mudar de vida.”
Bartira também destaca o aprendizado mútuo entre os mundos privado e social, dizendo que levou números, metas e objetividade, e aprendeu acolhimento e equidade, pois, “Não dá para falar de meritocracia sem falar de equidade.”
Resultados, desafios e plano de expansão
Hoje, o Instituto Ponte atende 466 alunos em 19 estados. Em média, os alunos que passam pelo instituto ganham seis vezes mais do que a renda per capita da família quando se formam, mostrando impacto econômico direto.
O índice de evasão universitária é outro destaque, com apenas 2%, contra médias nacionais de até 40%. Bartira lembra que o trabalho é de longo prazo, “Nosso ciclo dura 10 anos. Quando eu coloco um aluno hoje, eu estou assumindo um compromisso financeiro de dez anos.”
Nos últimos três anos, o Instituto cresceu cerca de 30% ao ano. A expansão, porém, é tratada como decisão de alto risco, e a meta é chegar a 650 alunos até 2029, o que exige R$ 30 milhões em recursos financeiros e cerca de R$ 80 milhões em parcerias.
Sem recursos públicos, o instituto depende de doações privadas, e a fundadora brinca com franqueza sobre a mudança de papel, dizendo que deixou de ser vice-presidente para “virar uma pedinte ambulante.”
O caso do Instituto Ponte ilustra como combinar governança, metas e avaliação com propósito pode gerar resultados mensuráveis em educação e mobilidade social, ao mesmo tempo em que exige planejamento financeiro e parcerias para escalar o impacto.
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