Nike e Converse: recuperação dá sinais, mas China ainda pesa

A Nike mostra alguns sinais de recuperação após uma série de erros que reduziram sua participação de mercado, mas continua a enfrentar obstáculos importantes, em especial na China e com a marca Converse.
No trimestre encerrado em 30 de novembro, as vendas cresceram 1%, sustentadas pelo bom desempenho na América do Norte, enquanto o lucro caiu 32%, pressionado por quedas fortes em mercados da Ásia.
Executivos avisam que a fraqueza na China deve persistir e pesar sobre as vendas globais, e a empresa planeja mudanças no portfólio e investimentos locais, conforme informação divulgada pelo The New York Times.
Resultados do trimestre
A empresa, sediada em Beaverton, no Oregon, informou que as vendas cresceram 1% no trimestre mais recente, encerrado em 30 de novembro, sustentadas pelo forte desempenho na América do Norte.
Apesar do avanço nas vendas, o resultado operacional sofreu, e o lucro caiu 32%, em grande parte por problemas na China continental, em Hong Kong e em Taiwan, onde a receita recuou 17%.
Esses números mostram que a recuperação é parcial, com ganhos em algumas regiões e perdas em outras, o que mantém a pressão sobre a margem e a rentabilidade.
Plano de recuperação e mudanças internas
O CEO Elliott Hill, que saiu da aposentadoria para reassumir a liderança no ano passado, tem adotado medidas para acelerar a recuperação, como eliminar estoques antigos e acelerar o desenvolvimento de produtos, especialmente de tênis de performance.
Hill também reorganizou a estrutura corporativa e substituiu muitos executivos do alto escalão, e afirmou que a empresa precisa "redefinir" sua abordagem na China, com investimentos em Pequim e Xangai e mudança no mix de produtos.
Como ele mesmo reconheceu, "O que fizemos é um começo, mas isso não está acontecendo no nível ou na velocidade de que precisamos para impulsionar uma mudança mais ampla", disse aos investidores durante uma teleconferência neste mês.
Analistas veem progresso, com Simeon Siegel, da Guggenheim Securities, afirmando que "Parece que a Nike está acelerando seu crescimento", e que a empresa tem conseguido vender mais e fazer consumidores comprarem mais.
China, tarifas e pressão nos custos
A China permanece um ponto sensível, e a Nike alertou que a fraqueza no país continuará pesando sobre as vendas. A retomada no mercado chinês exigirá tempo e investimentos focados.
Além disso, a empresa espera que as tarifas impostas durante o governo Trump acrescentem US$ 1,5 bilhão aos seus custos e reduzam sua margem bruta no ano fiscal atual, motivo pelo qual a Nike já aumentou preços de alguns tênis, roupas e equipamentos.
Desempenho da Converse e próximos passos
A marca Converse segue combalida, com as vendas caindo 30%, segundo os dados divulgados, e recuos em todas as regiões. A administração está reformulando a linha Chuck Taylor, seu tênis mais popular, na tentativa de recuperar relevância.
Por ora, a companhia espera uma ligeira queda na receita global no trimestre atual, apesar de prever crescimento na América do Norte, e mantém tom cauteloso sobre a evolução da recuperação, lembrando que o progresso "não será perfeitamente linear", nas palavras da liderança.
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