GM baixa contábil US$ 6 bi e corta investimentos em elétricos

GM anuncia baixa contábil de US$ 6 bilhões por recuo em elétricos
A General Motors anunciou nesta quinta-feira que assumirá uma baixa contábil de US$ 6 bilhões para desmontar alguns investimentos em veículos elétricos, no mais recente anúncio de recuo da montadora.
A maior parte dessa baixa, um encargo em dinheiro de US$ 4,2 bilhões, está relacionada a cancelamentos de contratos e acordos com fornecedores que haviam planejado volumes de produção muito maiores.
A GM disse que a baixa contábil não afetará a linha atual de cerca de uma dúzia de modelos elétricos nos Estados Unidos, 'Planejamos continuar a disponibilizar esses modelos para os consumidores', disse a empresa, conforme informação divulgada pela General Motors.
Impacto financeiro e relação com fornecedores
A baixa contábil da GM inclui, segundo a empresa, custos associados a contratos cancelados e ajustes na cadeia de suprimentos, devido à redução da produção de carros elétricos em relação ao planejado. A conta do mercado mudou com força, e a montadora reconhece perdas agora.
Nos Estados Unidos outras fabricantes também reagiram, a Ford anunciou uma baixa contábil muito maior, de US$ 19,5 bilhões, ao cancelar vários programas de veículos elétricos. O presidente-executivo da Ford, Jim Farley, disse que foi uma medida dolorosa, mas necessária, à medida que o mercado esfriou.
Cortes de produção e mudanças em fábricas
A GM começou a reduzir investimentos relacionados a veículos elétricos já no ano passado, e este mês interrompeu a produção de baterias para veículos elétricos em duas fábricas por seis meses, além de reduzir a produção para um turno em uma fábrica exclusiva para veículos elétricos em Detroit.
A empresa também abandonou planos de outra fábrica em Michigan que estava programada para produzir veículos elétricos e, em vez disso, montará o utilitário Cadillac Escalade e picapes, em decisão que reflete a necessidade de ajustar capacidade à demanda.
Queda nas vendas, fim do incentivo e previsões de mercado
As vendas de veículos elétricos da GM caíram 43% no quarto trimestre após o fim do incentivo norte-americano, e o fim do crédito federal de US$ 7.500 para compradores, ocorrido em 30 de setembro, reduziu a pressa dos consumidores em adquirir veículos eletrificados.
O provedor de dados automotivos Edmunds espera que os veículos elétricos representem cerca de 6% das vendas totais de veículos nos EUA em 2026, ante 7,4% em 2025, sinalizando crescimento mais lento do que a indústria previa anteriormente.
Perspectivas e resposta estratégica
A GM, que chegou a prometer eliminar gradualmente carros e picapes movidos a combustão até 2035, ainda não declarou publicamente uma reversão dessa meta, mas analistas reduziram previsões de vendas de elétricos para a próxima década no mercado americano.
A presidente-executiva da GM, Mary Barra, disse que a empresa responderá à demanda dos clientes, e a companhia afirmou que continuará a disponibilizar os modelos elétricos existentes nos Estados Unidos. A estratégia indica adaptação à nova realidade da demanda, e das políticas públicas, após o fim do estímulo federal.
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